quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Não fiquei com nenhuma foto sua.
Em minhas lembranças, não sei qual pedaço seu é meu.
Não ouço sua voz. Quero, mas não ouço.
No meu silêncio, suspiro sua falta.
Quando chegamos juntos ao mesmo lugar, eu te vi como havia desejado: lindo, sorridente e apaixonado por mim.
Na sua ausência, o tempo parece que para, quando percebo que nada do que acontece à minha volta move meus sentimentos, e parece que voa, quando sinto que já desapareci da sua vida.
O seu silêncio constrói uma eternidade entre nós.
Por temer que meus medos tenham razão, antecipo a desgraça que sentirei em meu coração quando eu me der conta de que você realmente não voltou.
Temer me faz agarrar cada detalhe de nós dois.
Você faminto e feliz comendo sanduíche com katchup no café da manhã. O dia mais lindo já vivido por nós não tinha sol.
Minha ansiedade me machuca e imobiliza enquanto tento entender por que você apareceu. 
Por que você sumiu?
Você tem três cachorros, eu duas gatas. Toca piano, eu escrevo. Acorda cedo, eu ao meio dia. Corre enquanto eu sinto preguiça.
Rezo para que não tenha percebido minha imperfeição.
Comprei um vestido novo e mudei de perfume para você. Ensaiei conversas agradáveis, cheias dos assuntos de que você mais gosta. Só sento ao sofá com as pernas dobradas de lado, pés para fora do estofado, como te agrada. Não me exponho ao sol para que minha pele esteja clara como você gosta, do jeito como a conheceu, quando voltar. Estou lendo os colunistas que me indicou e até mesmo o livro que não gostou. Quero ver de novo seu sorriso feliz em me ter por perto, ouví-lo dizer que não há mulher mais linda no mundo.

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