Ontem nos reunimos para comemorar o primeiro aniversário da Laura, uma menina linda que chegou em nossas vidas para acrescentar, ensinar, pedir.
O dia para mim não havia começado muito bem, acordei com aquele sentimento pesado no peito implorando para não sair da cama, não ver ninguém, não falar, não ouvir, não mover um músculo sequer, não ceder à fome, sede ou vontade de ir ao banheiro. Apenas ficar ali, sentindo em cada respirar a angústia pesar e travar meus sentidos até que eu pudesse ser leve novamente.
Mas existe mais vida em mim. Se eu não levantasse, não iria à feira, não teria o que preparar para o almoço e passaria a semana sem as frutas e saladas frescas que tanto gosto. Isso não seria um problema se eu realmente cedesse à voz que convidava-me à prostração. Mas a vida em mim tem sido muito mais forte que a dor, a fraqueza, a raiva. Então esforcei-me (sim, mesmo tendo vida em mim, é preciso esforço para vivê-la) e fiz o que deveria fazer durante o dia. Parei alguns momentos para recuperar o fôlego, pois dar atenção à angústia faz parte do processo de superá-la.
O dia seria encerrado com a festa de aniversário da Laura. A vontade de ficar isolada do mundo ainda persistia em mim, mas não cedi a ela e lentamente me preparei para juntar-me à família e aos amigos. O que eu não esperava, talvez por distração, talvez por estar envolvida na nuvem negra que a raiva faz pesar no coração, é que a noite seria muito mais do que apenas encontrar essas pessoas.
Eu tenho o meu lugar no mundo. Amplo, né? Especificarei: eu tenho o meu lugar no coração de cada uma daquelas pessoas. Estar ali, ser recebida com carinho e sorrisos, ouvir comentários sobre eu não ter sido a primeira a chegar, a falta da minha voz alta e estridente, da minha gargalhada nada discreta, do meu jeito espontâneo, bagunceiro e até escandaloso de ser foi como atirar uma flecha certeira na danada da raiva que tentara me impedir de ser alegre durante o dia.
Festas familiares são sempre maravilhosas, adoro todas, pois seja qual for a data ou o motivo da reunião, celebra-se sempre o amor. Mas confesso que festas para crianças destacam-se como minhas preferidas. A ingenuidade de seus sorrisos concorre com as mais belas maravilhas do mundo, ou melhor, da vida.
Reunir os vários pedaços da família (primo do primo, irmão do cunhado, avós, padrinhos, tios, namorados, amigos) e conseguir que todos interajam tão naturalmente não é obra planejada, organizada por nós humanos. É a força do amor no coração de cada um de nós, amor este que representa Deus, agindo, fazendo-nos ser todos irmãos.
Quando chegou o momento mais esperado da noite, cantar "parabéns pra você" à nossa princesa, as expectativas eram variadas. Muitos acreditavam que ela ficaria assustada, como é comum acontecer com as crianças em seu primeiro aniversário. Casa cheia, barulho, luzes apagadas para acender a vela do bolo. Mas a Laura surpreendeu. Falarei apenas por mim, pois acredito que a emoção deve ter sido única para cada um de nós enquanto cantávamos e sorríamos para ela. Eu, que tivera um dia tão pesado, uma luta tão dura contra as trevas e a escuridão da dor, da raiva, do desapontamento, percebi meu coração ser invadido por tanta cor, tanto amor, tanta surpresa. Olhei para ela ali, entre seus pais cujo olhares brilhavam, e o filme de sua vida passou pela minha cabeça. A notícia da gravidez da Chris, sua mãe, a barriga crescendo, a emoção de ver seu rostinho pela primeira vez e identificar cada traço. Imaginei, tentei imaginar a emoção no coração de seus pais naquele momento, comemorando esse ano de vida com tanta mudança e quanta mudança deve ter nascido em seus corações nesses primeiros meses com a Laura, que ao contrário do que imaginávamos, não assustou-se com os aplausos e os gritos, alegrou-se, surpreendeu-se, sorriu e quase cantou junto. Quanta alegria. Não consigo mais viver momentos como esse e ser a mesma pessoa no dia seguinte, no minuto seguinte. Tanto amor transforma-me. O sentido da vida, o real sentido da vida grita, esperneia, pula diante de mim e não posso viver como se não o tivesse percebido, como se ele não tivesse me transformado mais um pouquinho mais uma vez. Tantas palmas, vozes, risadas, tantas pessoas que saíram de suas casas naquele dia, adaptaram seus compromissos, programaram-se para estar ali, organizaram-se de diferentes maneiras, mas naquele momento, diziam a mesma palavra: "Laura! Laura! Laura!" Tantos corações e uma só emoção.
Viva o amor!
Linnnnnnnnnnndo!!!
ResponderExcluirLaura, é preciso viver! Apesar de tudo.
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